18 Julho 2007

Como nascem as manhãs

Abri minhas mãos ao vento
ele veio, passou por minhas mãos abertas
e seguiu seu caminho sem deixar nada pra mim.

Abri meus braços à lua
ela sorriu, encheu-se toda marota e orgulhosa
e murchou preguiçosa, sem deixar nada pra mim.

Ofereci meu corpo ao sol
ele queimou, bronzeou-me a pele
e escondeu-se da noite sem deixar nada pra mim.

Ofereci meus olhos à madrugada
ela, por pura maldade derramou-se em orvalho
que escorrem em lágrimas sem deixar mais nada pra mim.

Voltaram um dia o vento e a lua.
O vento roubou minhas lágrimas que,
com a luz fria da lua, castiga agora a madrugada.

Esta, injustiçada volta-se pra mim
num silêncio ocluso implorando certeiro perdão.
O sol, comovido, absolve o vermelho de nossas dores
certificando nossa alforria com magnificente alvorada.

Aloha! Namastê! Sawabona!

1 comentários:

Clarice disse...

A poesia é tão plena que eu crio imagens da autora sem a conhecer, deitada ao sol, secando lágrimas sob a lua, renovando-se, recriando-se. Amanhecendo-se.
Abraço e tenha lindas manhãs!