15 Janeiro 2008

Forrobodó dos Rabiscos

Rabiscos são linhas traçadas em passos incertos, em decisões e dúvidas (gigantescas e mínimas) que nos impedem de voar.

São rascunhos imprevisíveis da obra final.

São sonhos desfeitos, reformulados, atualizados e realizados, ciclo após ciclo, em busca da perfeição.

Meus rascunhos preservam um forrobodó de prévias mal-elaboradas, num discurso para um público bom ouvinte e infiel.

São traçados no balançar do lombo do cavalo galopante... Suado, estafado, quase esquartejado mas ainda picante.

Esquemas e planos mirabolantes, imaginados na impulsividade de um segundo rastejante, com validade por muitos anos.

Planetas e galáxias vistas pela distância do tempo, somente depois de falecidas.

São os filhos da labuta sórdida e sádica, que me fez parir sem permitir ao menos que eu beijasse as faces rosadas de meu próprio ventre.

Rascunhos riscados em pontos indefinidos. Especulações impróprias, escandalizadas pela fuga da realidade que conseguiu surgir como matéria principal de um jornal qualquer.

Forrobodós que arranham a pele por dentro,
atrasam a construção da reta principal.

Ainda assim, nos permite
construir um mundo novo por dentro, constantemente.

Aloha! Namastê! Sawabona!

1 comentários:

Clarice disse...

Fico feliz por teres voltado a escrever.
E esses rascunhos e rabiscos são de uma vverdade e encanto que chegam a espremer o coração.
Beijos.